Todos nós já reparamos, com toda a certeza, nos ataques –
violentos e constantes – que são feitos contra a instituição familiar nos
tempos que correm.
A família apanha pancada a torto e a direito. Apeteceria
ter pena dela, se fosse uma pessoa.
Basta passar os olhos num jornal ou numa revista, ligar a
televisão, reparar nas propostas de lei que, insistentemente, sobem e voltam a
subir – mesmo depois de anteriormente derrotadas – aos parlamentos dos vários
países.
Tudo é útil.
Tudo aquilo que, de uma forma ou de outra, possa servir
para corromper a família e contribuir para a eliminar da face da terra é
incrementado, com meios poderosíssimos, em nome de qualquer coisa mal explicada
que pretendem vestir de modernidade.
E apresentam-nos, em alternativa à família, como sendo as
últimas conquistas do progresso humano, coisas que não são senão roupagens que
pretendem tornar apresentáveis as mais antigas podridões humanas.
Como se a família fosse algo que pertencesse a uma época
da história que estamos prestes a ultrapassar. Como se ela se pudesse abandonar,
para dar lugar a algo mais atual, da mesma forma que se abandonaram as máquinas
de escrever à medida que se foram generalizando os computadores.
Vamos assistindo a esses ataques…
É a intenção clara de impor na sociedade o aborto. A
coabitação. O “casamento” de homossexuais e a possibilidade de adoptarem
crianças. A atividade sexual desregrada, arrancada ao âmbito que lhe é próprio.
São as leis que favorecem o divórcio, e a ausência de
leis que defendam e promovam as famílias com filhos.
É a criação de um ambiente de comodidade material e de
egoísmo – “Segurança!… Segurança!”… – no qual os filhos não têm lugar, porque
nada se opõe tanto ao egoísmo e à comodidade como os filhos.
É a tentativa de fazer passar – como sendo um facto
moderno e racional – a ideia de um “planeamento familiar” que, no fim de contas
(não é tão fácil reparar na contradição?), consiste em aprender as técnicas de
não construir uma família.
E a outra ideia, a de que as crianças – não passam, para
eles, de brinquedos vivos… – existem para os pais, e não os pais para as
crianças (é talvez por isso que se avança tanto na investigação em embriões, de
forma a que, qualquer dia, se possa escolher o sexo, as características, os
pormenores do aspecto físico dos filhos… assim como quem vai à loja escolher
uma boneca).
São, ainda, muitas outras coisas. Tantas, que uma família
normal, com muitos filhos, já é olhada como um bicho estranho quando
passa na rua (sucede como quando alguém passa conduzindo um daqueles carros de
museu que funcionam a manivela…).
No entanto, apesar de todos os ataques, e dos rios de
dinheiro – não podemos ser ingénuos – que organizações poderosas gastam neles,
a família não deixará de existir como aquilo que é: um nó de laços
indestrutíveis, fundamentado na união – assumida em forma de compromisso livre
– de um homem com uma mulher para sempre.
E todas essas campanhas são uma batalha antecipadamente
perdida. E todo esse dinheiro é inutilmente gasto.
É que a família pertence à natureza humana, e não está na
mão de ninguém mudar isso. Não é um estágio da evolução da humanidade, uma fase
que depois se ultrapassa para se chegar a um patamar superior.
A seguir à família não há mais nenhum patamar: só o
abismo.
Se não houvesse a família, não haveria homens, mas sim
monstros (às vezes encontramos por aí alguns que não chegaram bem a ter uma
família, nem nada parecido, e aquilo que neles vemos faz-nos pensar
precisamente nisto).
Não acontecerá, evidentemente, aquilo que vou imaginar a
seguir.
Mas se alguém muito poderoso e sábio, num dia muito
futuro em que isto estivesse tudo perdido – num dia em que as orientações que
agora se tenta impor tivessem vingado e conduzido ao desconcerto e ao
isolamento gerais – se esse alguém se pusesse a magicar numa forma de organizar
a sociedade de maneira a reconstrui-la; se quisesse arquitetar um sistema de
formar novos homens que possuíssem firme consistência; se procurasse uma
maneira de os homens estarem ligados uns aos outros por laços inquebráveis que
os acompanhassem ao longo de toda a existência; se pretendesse que os homens
nunca mais estivessem sozinhos; se desejasse inventar um caminho que de novo
conduzisse à felicidade…
Então esse alguém, se fosse capaz, começaria por formar
pequenas células, sãs e inquebráveis, que, depois de se juntarem a outras,
viessem a constituir o tecido da sociedade dos homens.
Esse alguém, se fosse capaz, inventaria… a família!
Nós, que ainda a temos, devemos prezá-la como se preza um
tesouro.
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