Senso Crítico

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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Menina Encantada




“Menina Encantada” é o nome de um navio que costuma estar amarrado no porto de Sesimbra, ao lado de muitos outros. Uma vez, ao reparar nele num dos meus passeios, lembrei-me da Susana.
A Susana é minha aluna e é também uma menina encantada.
Não vou fazer-lhe aqui um elogio; vou, sim, elogiar os pais dela. A Susana tem uma idade na qual ainda não se conquistaram virtudes. Nessa fase da vida ainda não temos virtudes próprias: refletimos as virtudes de quem nos educou.
Uma vez disse-lhe que tinha uma grande admiração pelos pais, o que a deixou espantada, visto que nunca tive o gosto de conhecer pessoalmente os senhores. Podia ter respondido ao seu espanto dizendo que sim, que conhecia muito bem os pais porque a conhecia a ela. Mas preferi não o fazer. Um dia ela compreenderá por si mesma a verdadeira razão. Levei o caso para a brincadeira. Disse-lhe: “Eles aturam-te pacientemente há muitos anos, e eu, só de te aturar durante três horas por semana, já tenho vontade de te atirar pela janela…”.
A Susana é uma menina encantada, com um encanto muito mais do que superficial. Tem assim uma espécie de perfume interior que se sente e não se sabe explicar bem. É agradável estar ao lado dela. Os colegas procuram-na, sentam-se à sua beira, brincam e conversam com ela. A escola não é bem a mesma coisa quando ela não está. Não tem graça pensar num programa se ela não puder estar presente.
A Susana tem uma aparência que não dá nas vistas; não é rica; veste-se modestamente; não fala alto. Escuta o que os outros dizem. Não se pinta, como sucede com algumas das companheiras. Mas está sempre contente. Quando tem o que desejou e quando não o tem. Porque também lhe passam pela cabeça todas as coisas que passam pelas cabeças das colegas. Uma vez ouvi-a dizer que não usava não sei que gênero de brincos, destes modernos, porque os pais não a deixavam usá-los. Não era uma queixa; foi uma coisa que veio à conversa, em grupo, durante um intervalo, com a maior das naturalidades. .
A Susana fez-me pensar.
Todos gostam de estar com ela porque está sempre bem-disposta. E está sempre bem-disposta porque se habituou a aceitar e a obedecer. Quando nos habituamos a não esperar muito da vida, qualquer coisinha nos deixa contentíssimos.
Ora isto é o contrário do que se passa com tantas e tantos, que se tornaram constantemente insatisfeitos e rabugentos por terem sido acostumados a ter aquilo que desejavam: aquilo que viam nas montras, os pratos preferidos, os objetos e brinquedos que viam os outros usar na escola, certas marcas de roupa. Quando alguém vai por esse caminho, deseja sempre mais, sempre diferente, sempre melhor, sempre mais caro, sempre novo. E passa de uns campos para outros, até chegar ao convencimento de que tem direito a que a vida satisfaça todos os seus desejos.
Às vezes não reparamos bem no alcance de certas coisas que fazemos enquanto educadores. A verdade é que quando damos a uma criança todas as coisas que ela deseja lhe damos também o aborrecimento. E a incompatibilidade futura com as arestas da vida.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Embrulho sem Presente


O Natal já existia quando eu vim.
No princípio era haver mais bolos lá em casa, como nas festas de aniversário, e também presentes. E era muito bom verificar que cabiam na mesma casa, conosco, os avós, os tios e os primos. Havia um calor qualquer que faltava no resto do ano. Um aconchego a que não sabia dar nome.
Depois, juntou-se a tudo isto o fato de o Natal acontecer dentro dessa outra coisa maravilhosa que eram as férias. E ganhou ainda mais encanto.
Mas chegou a idade de querer saber a razão funda das coisas. Saí para a rua, onde as pessoas compravam e vendiam presentes envolvidos em papéis de muitas cores. Mas os que compravam e vendiam não souberam dizer-me o que desejava. Falaram-me de como tinham de correr muito nessa época do ano; falaram-me de números e das poupanças que tinham feito; do seu esforço e de como a vida não estava boa para dar prendas.
Nada sabiam acerca do Natal. Deixei-as nas suas absurdas correrias e continuei a procurar. Nas ruas, as luzes não passavam de técnica comercial e, no fundo, tudo estava muito escuro.
E fui ver as famílias, lembrando-me de como, em pequeno, o Natal me rodeava quando estava com os meus. E vi como as famílias continuavam a se juntar. E como continuavam a caber muitos numa casa pequenina. Mas ficavam sentados, passando o tempo em frente da televisão. Havia monossílabos e gritos. E compreendi que era apenas por hábito que se reuniam. Pareceu-me que tinham perdido o Natal, conservando somente a roupagem do Natal. Era como se houvesse o embrulho bonito do presente, mas sem presente dentro.
Achei as famílias disparatadas e saí de novo.
Foi só quando já não sabia onde procurar que tive a minha resposta. Os meus passos vagabundos levaram-me até onde se tinham juntado aqueles que sabiam de dores. Não recordo já se era hospital ou prisão. Ou uma barraca de janelas abertas ao frio da noite. Uma mãe tinha perdido um filho. Outra tinha um filho doente. Um homem jazia imóvel num leito e gemia não sei que doença. Outro tinha um sonho grande e umas mãos pequenas, e sofria de não ser capaz. Havia cegos e alguns que, vendo, desejavam ver de outro modo.
Não sei contar todos os casos, mas posso dizer que vi uma oração nos lábios de cada um deles; nos olhos de cada um, uma lágrima e, simultaneamente, um brilho de esperança. Os que podiam tinham-se ajoelhado – era quase meia-noite – à beira de uns bonecos de presépio, entre os quais estava o daquela que havia de ser mãe.
Uma mãe ainda sem o filho nos braços… mas era quase meia-noite!
E compreendi: o Natal é só de quem há muito espera. De quem ainda não se encheu. É só de quem sonhou além das coisas e se vê ainda muito longe. É de quem tem chorado. De quem olha para dentro de si mesmo e sente medo. De quem não encontrou ainda o seu consolo.
O Natal existe apenas onde existe a falta. Nós, que temos tudo – que pensamos que temos tudo – sofremos da terrível pobreza de não sabermos sequer que somos pobres.

O Natal não é para nós. Ainda não somos capazes de o entender…

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Vinhas de Longe



Toda a aldeia se debruçou sobre ti quando chegaste.
Vinhas de longe e amarraste o teu cavalo à oliveira,
Mas ainda não sabíamos que trazias um sol por dentro.
Detidamente te olhamos depois: vimos como sorrias ou calavas.
Destes passos entre nós e é certo que foste um dos nossos:
Talvez termine aqui o teu caminho…
Fica: se o nosso olhar puder deter-se em ti
Teremos a alegria sempre conosco.
Cantaremos guardando o rebanho e cuidando dos nossos campos.
Fica: podes passear entre as searas
E conversar à noite com os nossos velhos.
Contarás histórias aos pequenos e nós aprenderemos sorrindo.
Havemos de chorar, se tu partires… Não à tua frente,
Mas as nossas ovelhas e os olivais da colina
E o velho moinho saberão que estamos tristes.
É certo que te trazemos conosco enquanto trabalhamos
Ainda que estejas lá em baixo, junto ao poço,
Mas temos medo do tempo e desconfiamos de nós.
É que o nosso dia está cheio de regressos a casa
E a mulher vem espreitar e os filhos enrodilham-se no arado:
Nunca tivemos uma luz que o tempo não voltasse a trazer depressa.

Fica: talvez não saibamos ler-te na ausência:
Sabemos onde é o poço,
Mas o mundo pode ser para nós longe demais…

domingo, 30 de novembro de 2014

Irmãos Pequenos do Vento


Eu e os outros fomos protagonistas de um milagre. Ninguém ainda conseguiu explicar como estamos vivos neste momento… Ninguém encontra uma razão para o fato de termos ultrapassado as fases da infância e da adolescência.
Fazíamos coisas disparatadas sem que alguém nos protegesse. Saíamos em grupo para tomar banho no velho açude, mesmo sem antes termos aprendido a nadar corretamente. Partíamos de bicicleta, sem capacete, para tão longe quanto aguentassem as forças ou a fome. Íamos sem destino. Entrávamos em cavernas e perdíamo-nos lá dentro. Trepavamos muros altos para entrarmos em casas abandonadas, onde estabelecíamos o nosso refúgio. Fazíamos explorações, rasgávamo-nos, sujávamo-nos.
Íamos a pé para a escola, mesmo quando estava a chover, mesmo quando ficava longe.
E lutávamos uns com os outros. Esmurrávamo-nos. Partíamos, por vezes, ossos e dentes. Organizávamos, na mata do castelo, grandes combates, nos quais utilizávamos espadas de madeira que tínhamos construído. Sabíamos bem – por experiência própria, e não apenas porque nos tivessem dito – que uma ferida profunda doía e demorava algum tempo a cicatrizar. Viver, para nós, não podia ser sem correr riscos. Ou éramos de todo inconscientes ou pensávamos que um anjo cuidava de nós.
Não havia um animador que viesse ensinar-nos modos corretos de brincar. Nem organizações que fabricassem para nós formas de ocupação dos tempos livres. Não tínhamos tempos livres. Não sei, aliás,  como pudemos sobreviver a tanta atividade.
Não parávamos. Tínhamos apetite: comíamos como cavalos e não ficávamos obesos. O Sol alojava-se em nós e fazia-se cor e saúde.
Inventávamos as nossas brincadeiras e nunca precisamos comprar jogos caros. Usávamos paus, pedras, velhos pneus, uma corda… Não tivemos jogos electrónicos, 99 canais a cabo, filmes em vídeo, celulares, computadores ou Internet.
Tivemos  amigos.
Passávamos horas e horas a brincar lá fora com eles. Como não havia os telemóveis (celulares), muitas vezes ninguém sabia exatamente onde estávamos. Resolvíamos os nossos problemas. Lidávamos sozinhos com um pneu furado na bicicleta, com um dia de tempestade, com um objeto perdido. Descobríamos a maneira de arranjar uma bola de futebol, de apanhar um grilo, de fazer uma fogueira. Aprendíamos a lidar com cada um dos nossos companheiros, com as nossas capacidades, com as circunstâncias mais variadas.
Crescíamos.
Nem em casa sossegávamos muito, porque tínhamos irmãos.
Os nossos pais ainda não conheciam as novas regras sobre o trabalho infantil. Mas também conseguimos sobreviver ao fato de termos de fazer a cama, cozinhar algumas das nossas refeições, ajudar a pintar a casa, preparar a roupa para vestir no dia seguinte, varrer a sala, lavar a louça.
Fazíamos loucuras. Brincávamos com cães não vacinados, bebíamos todos pela mesma garrafa, secávamos a roupa no corpo. Dávamo-nos com gente pouco recomendável. Pedíamos boleias. Entrávamos em acampamentos de ciganos e tínhamos lá amigos. Aprendíamos coisas com eles.
Mil vezes podíamos ter morrido, mil vezes podíamos ter sido assaltados, mil vezes podíamos ter adoecido gravemente. Mas sempre que superávamos uma dificuldade tornávamo-nos mais fortes, mais capazes de enfrentar o que viesse. Servíamo-nos dos nossos adversários para crescer. A dor tornava-nos resistentes à dor; a necessidade de nos esforçarmos aumentava a nossa força; uma derrota levava a que nos conhecêssemos melhor.

Sobrevivemos. Éramos os irmãos pequenos do vento. Gostávamos de sentir a chuva a escorrer do cabelo para a face.

O Jogo das Pedrinhas


Havia pouca gente no estabelecimento quando entrei. Enquanto tomava o meu café pude assistir com sossego ao acontecimento, cuja importância fui compreendendo. Era o jogo das pedrinhas. A menina tinha talvez três anos e estava sentada sobre o balcão. Um senhor, que parecia ser o pai, estava diante dela e tinha de adivinhar em qual das mãos tinha a menina colocado uma pedra pequenina. Ela, com os braços atrás das costas, sem que o pai pudesse ver, deixara a pedra numa das mãos, e agora estendia-as ambas, fechadas, para que o pai adivinhasse.
O pai escolheu uma das mãos, mas não acertou. Foi isso o que a criança lhe disse, começando imediatamente a preparar-se para repetir o jogo. Mas o pai pediu-lhe que abrisse as duas mãos com as palmas para cima. Era preciso que ela apresentasse a prova de que o pai não tinha acertado…
O senhor partiu do princípio de que a filha podia estar a mentir. Não estava… mas abriu as mãos.
Enquanto tomava o meu café assisti ao instante exato em que aquela menina aprendeu que não era merecedora de confiança, que não acreditavam nela, que a sua palavra não tinha valor. Que esperavam dela que fosse capaz de enganar os outros para alcançar os seus objetivos.
Aos três anos. Num jogo. Com o pai.
Muito se poderia dizer acerca das mentiras das crianças ao longo do seu desenvolvimento – muitas vezes relacionadas com a aprendizagem de o que é a realidade e o que é a imaginação. Mas este caso não tem relação com isso.
Enquanto tomava o meu café pareceu-me estar a assistir a um exemplo concreto de como se colocam minas nos alicerces do mundo. “Estamos todos num mesmo barco, em mar tempestuoso, e devemos uns aos outros uma terrível lealdade”, escreveu Chesterton. Essa lealdade é necessária nos fundamentos da convivência entre os homens.
E lembrei-me de como os antigos tinham tão elevada estima pela sua honra que a defendiam com unhas e dentes, de como consideravam uma desgraça a sua perda.
A honra de uma pessoa é o reconhecimento de que essa pessoa é íntegra e digna de confiança. Não como consequência de uma campanha artificial, como agora se consegue através da publicidade e da propaganda, mas como resultado de um longo e constante esforço por ter um comportamento correto.
O mundo é uma selva, e isso conduziu-nos à desconfiança. Desconfiamos por princípio, por hábito, por medo, por insegurança, por prudência. Desconfiamos sempre. Se alguma vez confiamos, passamos muito possivelmente pela amargura de sermos enganados. Desconfiamos porque a nossa experiência de vida nos levou a desconfiar. Aprendemos com os nossos erros e fazemos muito bem.
Fazemos muito bem… desde que não queiramos fazer nada para mudar o mundo, desde que estejamos contentes com a selva que nos rodeia, desde que não nos importemos com ferir as pessoas que estão ao nosso lado. Porque é preciso que tomemos consciência de que ofendemos uma pessoa quando partimos do princípio de que ela não é digna de confiança. E de que essa ofensa é sentida muito mais vivamente se essa pessoa for jovem. Não há melhor forma de fazer de uma criança um mentiroso do que desconfiar dela. E confiar nela é necessário para que venha a ser um adulto verdadeiro.
Nas crianças devemos confiar sempre. Ao lidar com elas estamos a construir o mundo. Devem crescer com a noção de que se espera delas a verdade, a nobreza, a dignidade. Devem saber que é isso o normal, embora exija esforço.
Querem ser boas, querem aprender, querem ser gente a sério. São o que de melhor há no mundo. Têm os olhos limpos, o coração limpo e as mãos limpas. Acreditemos nelas. Se alguma vez nos enganarem, não há o risco de que entendam esse comportamento como normal, porque se hão de lembrar de que confiamos nelas. Não pensarão: “toda a gente faz isto”. Sentir-se-ão mal. Terão pena. Voltarão à verdade.

Mesmo que tenhamos sérias dúvidas, será melhor deixarmo-nos enganar do que lançar sobre elas a suspeição, que magoa e marca e arruína. Pode perder-se qualquer coisa, mas é muito mais – e está noutro plano – aquilo que se ganha.

sábado, 1 de novembro de 2014

Virgo


Não quero usar-te. Não tenciono ganhar experiência à tua custa. Não quero que sejas um episódio na minha vida, nem desejo estar de passagem pela tua.
Não penso que a vida seja uma brincadeira, embora se possa brincar com quase tudo. Sou ainda novo e tenho muito que descobrir, mas aprendi a amar aquilo que é sólido e permanece. Sou demasiado ambicioso para querer menos que o máximo, e não trocarei o meu sonho por ilusões, ainda que sejam doces e agradáveis.
Estabeleci para a minha vida ter filhos e fazer da educação deles, da tarefa de fazer deles homens, o grande sentido do tempo que me for dado para estar aqui. Outros terão objetivos diferentes, mas foi com isto que sonhei. Quero edificar uma casa sólida que dure séculos. Nela crescerão os meus filhos e os filhos dos meus filhos… até vir a ser, com o tempo, uma bela cidade. No meu sonho, vi a miudagem correndo à beira de um ribeiro, com os olhos limpos, traquinas e alegres.
Por isso, embora sinta isto que sabes que sinto, embora sintas aquilo que sei que sentes, talvez se torne necessário dizer-te, e dizer-me, que pode não chegar o dia em que troquemos palavras de amor.
Mas esta carta pode também ser o alicerce do belo edifício que construiremos juntos e há de permanecer para sempre.
Tens ainda tempo para vires a ser como te sonhei; tenho ainda tempo para me tornar merecedor de te ter como te sonhei.
Torna-te toda mistério e luz.
Luz porque quero ver-te inteira – sem névoas nem disfarces nem complicações – quando te olhar nos olhos; mistério porque quero que cresças por dentro, em silêncio, e te enchas, em segredo, daquelas riquezas que só se devem manifestar quando nos entregamos a alguém para sempre.
Enfeita-te interiormente, sobretudo. Como a flor para a qual não chegou ainda a Primavera e vai preparando recatadamente as suas cores e os seus aromas.
Demora-te no teu tempo e não permitas a pressa. E ajuda-me a não ter pressa.
Veste vestidos compridos, se puderes, e não saias curtas ou calças apertadas. Sempre me pareceu que certas formas de vestir não são senão a manifestação de um vazio interior muito grande. Algumas que vejo passar na rua fazem-me lembrar montras de talhos…
Aquela que vai para a rua mostrar as formas do seu corpo atrai os homens que procuram na mulher um corpo, e assim se torna semelhante à prostituta. E assim se desgraça e os desgraça. Assim passa de mulher a corpo de mulher, tornando-se infinitamente menor do que devia ser.
Mas eu quero que sejas do tamanho de seres mulher. Quero que sejas forte.
Porque, embora possa não parecer, sei que sou frágil. E aquela que há de ser a mãe dos meus filhos fará a meu lado toda a aventura da vida, e será a minha força e os muros da minha cidade e o ombro para o meu cansaço.
“Virgo” era a palavra que, no meu sonho, encontrei inscrita numa pedra de umas ruínas que bem podiam ser as ruínas do mundo. Por ela me apaixonei.

Vim mais tarde a saber que significa “virgem” e já não era muito usada. Disseram-me que tem, em latim, a mesma raiz da palavra “força”.