Senso Crítico

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ainda Existe Um Lugar


Ainda Existe Um Lugar


Venha sentir a paz que existe aqui nos campos
O ar é puro e a violência, não chegou
O céu bem limpo e muito verde pela frente
Uma vertente que não se contaminou
Pela manhã, o sol nascente vem sorrindo
E os passarinhos cantam hinos, no pomar
O chimarrão tem um sabor de esperança
E a criança traz o futuro no olhar

De tardezita, tem os banhos no riacho
Jogo de truco junto à sombra do galpão
Uma purinha que faz rima contra o mate refrão
E o cão que late contra o guaxo, no oitão

O anoitecer nos apresenta mais estrelas
Entre o silêncio que da paz, para o luar
De vez em quando um cometa incandescente
Se faz presente para um pedido repontar
Aqui a verdade ainda reside em cada alma
Se aperta firme quando
Alguém lhe estende a mão
Se dá exemplo de amor, fraternidade
Aos da cidade que não sabem pra onde vão

 

Sonhos de Uma Flauta


Sonhos de Uma Flauta


Nem toda palavra é
Aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra
Se parece com tijolo ou com pedra de giz

Avião parece passarinho
Que não sabe bater asa
Passarinho voando longe
Parece borboleta que fugiu de casa

Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá

A gente parece formiga
Lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia
Parece descanso pra minha oração

A nuvem parece fumaça
Tem gente que acha que ela é algodão
Algodão as vezes é doce
Mas as vezes é doce não

Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Ah e o mundo é perfeito
Hum e o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito

Eu não pareço meu pai
Nem pareço com meu irmão
Sei que toda mãe é santa
Sei que incerteza traz inspiração

Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Briga que aparece pra trazer sorriso

Tem riso que parece choro
Tem choro que é por alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia

Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem a sede que morre no seio
Nota que fermata quando desafino

Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais

Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Mas o sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Ah e o mundo é perfeito
Mas o mundo é perfeito
O mundo é perfeito...

 

Trem de Lata

Trem de Lata


Uma velha ferradura pendurada
Feito o sino dá licença na estação
Pra que o velho trem de lata em disparada
Chegue a tempo no outro lado do galpão

Orelhano não tem marca registrada
E o seu trilho é o próprio rastro pelo chão
Lá no cocho das galinhas tem parada
Pra o foguista abastecer o seu vagão

Lata aberta toda a volta vai a carga
Encontrada pelo meio do terreiro
E as fechadas onde a ponta não se larga
Eram só para vagões de passageiros

Toda vez que o pai chegava com sortido
O piazito ia correndo ver se vinha
Pra tornar seu trem de lata mais comprido
Entre as compras uma lata de sardinha

Mas o tempo foi passando e o que era lindo
Disse adeus ao sentimento conquistado
E o expresso fantasia foi sumindo
Do cenário pelo túnel do passado
Eram só para vagões de passageiros


domingo, 23 de abril de 2017

Manhãs de Abril

Manhãs de Abril - Oriza Martins
Foi-se o sol do verão
e ainda não é inverno
abaixo do Equador
na fresca manhã de outono
sopra um vento doce, terno
Se para alguns é o outono
do verão a despedida
para outros representa
a celebração da vida
da vida em recolhimento
no ventre da natureza
a voltar na primavera
em toda sua grandeza
Aproveito este momento
quero curtir a magia
misto de melancolia
que me enche de emoção
Se este abril vai passar
,para minha consolação
outros hão de retornar
me encantando o coração


domingo, 24 de maio de 2015

Humildade



Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite 
minha pobreza tal como sempre foi. 

Que não sinta o que não tenho. 
Não lamente o que podia ter 
e se perdeu por caminhos errados 
e nunca mais voltou. 

Dai, Senhor, que minha humildade 
seja como a chuva desejada 
caindo mansa, 
longa noite escura 
numa terra sedenta 
e num telhado velho. 

Que eu possa agradecer a Vós, 
minha cama estreita, 
minhas coisinhas pobres, 
minha casa de chão, 
pedras e tábuas remontadas. 
E ter sempre um feixe de lenha 
debaixo do meu fogão de taipa, 
e acender, eu mesma, 
o fogo alegre da minha casa 
na manhã de um novo dia que começa.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Outra Vez



Outra Vez é uma canção gravada por Roberto Carlos no ano de 1977, e é considerada um de seus clássicos. Por essas e por outras vale recordar essa canção outra vez

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez
Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes
Eu tenha vontade sem nada a perder
Ah... você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez
pintura de Steve Hanks

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A Um Ausente



Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Simples Fatos


É tão difícil calar quando se tem que calar, 
e falar quando se tem que falar. 
Abrir e soltar; 
Falar e pensar. 
Cantar e sonhar, 
Parar e tocar.
                                Por pra fora sentimentos contidos 
                                Expressar momentos vividos, 
                                Cogitar idéias, 
                                Trocar matérias, 
                                Reviver momentos profundos 
                                Impedir ou pedir pra que parem o mundo.
Retomar o rumo, 
Reerguer os muros, 
Gritar alto, 
Correr, pular 
Respirar fundo 
Voar, andar. 
Ver a vida passar 
Esquecer, relembrar. 
Não olhar para trás, 
Jamais.
                                Aprender com os erros 
                                Sempre.
Reclamar, rejeitar 
Renegar, ressurgir. 
Esses relatos 
São simples fatos, 
Fatos contados, fatos vividos, 
Fatos mudados, fatos lembrados 
Isso nos mostra que 
a vida é feita de 
Simples fatos.
                                Porém, não tão simples quanto aparentam ser. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Girassol


Em minha mão fechada cabe o dia, 
o fogo aleatório dos instantes 
e o silêncio que espalham os amantes 
quando termina a festa e nada resta
da luz petrificada entre as montanhas. 
Em minha mão aberta cabe a sombra 
largada pela vida que me espera 
além do inverno, quando a primavera
devolve ao caule a rosa fenecida 
e o que foi volta a ser, e toda perda 
retorna como um lucro imerecido.
A minha mão sustenta um girassol. 
Sou sobra e o excesso, como o vento 
ou como a luz incômoda do sol.

Cansa sentir quando se pensa


Cansa sentir quando se pensa. 
No ar da noite a madrugar 
Há uma solidão imensa  
Que tem por corpo o frio do ar. 
Neste momento insone e triste 
Em que não sei quem hei de ser, 
Pesa-me o informe real que existe 
Na noite antes de amanhecer.
Tudo isso me parece tudo
E é uma noite a ter  um fim 
Um negro astral silêncio surdo 
E não poder viver assim.

(Tudo isso me parece tudo
Mas noite, frio, negror sem fim, 
Mundo mudo, silêncio mudo – 
Ah, nada é isto, nada é assim!)



Poesia matemática


Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base.
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo otogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?",indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
-O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs -
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais,
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar,
Uma perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais Ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.