Senso Crítico

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domingo, 29 de setembro de 2013

Não é Sempre



Às vezes parece que eu não tenho medo
Às vezes parece que eu não tenho dúvidas
Às vezes parece que eu não tenho...
.. Nenhuma razão pra chorar

Você esquece que eu não sou de ferro
(Até o ferro pode enferrujar)
Você esquece que eu não sou de aço
E faço questão de provar:
Olhe pra mim.... enquanto eu me quebro

Às vezes parece que eu tenho muito medo
Às vezes parece que eu só tenho dúvidas
Às vezes parece que eu não tenho...
.. Nenhuma chance de escapar

Acontece que eu não nasci ontem
(Até hoje sempre escapei com vida)
Pra quem duvida de tudo que eu faço
Eu faço questão de provar:
Olhe pra mim.. enquanto... desapareço no ar

Não queira estar no meu lugar
Não queira estar em lugar nenhum
Às vezes tudo muda
E continua tudo no mesmo lugar

Não queira estar no meu lugar
Não queira estar em lugar nenhum (UM LUGAR COMUM)
Às vezes uma prece ajuda
Às vezes nem adiante rezar

Já desisti de ser uma pessoa só
Já desisti de ser uma multidão
Já não ponho todas as fichas na mesa
Agora ... jogo algumas no chão
Jogo algumas no chão

Às vezes tudo, às vezes nada
Às vezes tudo ou nada, às vezes 50%
Às vezes a todo momento, às vezes nunca
Como tudo na vida, não é sempre

Às vezes de bem com a vida, às vezes de mau humor
Às vezes sem saída, às vezes seja onde for
Não é sempre, não é sempre
Como tudo na vida... nunca é sempre

sábado, 14 de setembro de 2013

Quanto Vale a Vida?




Quanto vale a vida de qualquer um de nós?
 quanto vale a vida em qualquer situação?
 quanto valia a vida perdida sem razão?
 num beco sem saída, quando vale a vida?
são segredos que a gente não conta
são contas que a gente não faz
quem souber quanto vale, fale em alto e bom som
 quantas vidas vale o tesouro nacional?
 quantas vidas cabem na foto do jornal?
 às sete da manhã, quanto vale a vida
depois da meia-noite, antes de abrir o sinal?
são segredos que a gente não conta
(faz de conta que não quer nem saber)
quem souber, fale agora ou cale-se para sempre
 quanto vale a vida acima de qualquer suspeita?
 quanto vale a vida debaixo dos viadutos?
 quanto vale a vida perto do fim do mês?
 quanto vale a vida longe de quem nos faz viver?
são segredos que a gente não conta
são contas que a gente não faz
coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz:
 quanto vale a vida?
nas garras da águia
nas asas da pomba
em poucas palavras
no silêncio total
no olho do furacão
na ilha da fantasia
 quanto vale a vida?
 quanto vale a vida na última cena
quando todo mundo pode ser herói?
 quanto vale a vida quando vale a pena?
 quanto vale quando dói?
são coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz:
 quanto vale a vida?

sábado, 6 de julho de 2013

Infinita Highway



Você me faz correr demais
Os riscos desta highway
Você me faz correr atrás
Do horizonte desta highway
Ninguém por perto, silêncio no deserto
Deserta highway
Estamos sós e nenhum de nós
Sabe exatamente onde vai parar

Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos, nem objetivos
Nós estamos vivos e é tudo
É sobretudo além
Dessa infinita highway

Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e é só
Só obedecemos a lei
Da infinita highway

Escute, garota, o vento canta uma canção
Dessas que a gente nunca canta sem razão
Me diga, garota: será a estrada uma prisão?
Eu acho que sim, você finge que não
Mas nem por isso ficaremos parados
Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão
"Tudo bem, garota, não adianta mesmo ser livre"
Se tanta gente vive sem ter como comer

Estamos sós e nenhum de nós
Sabe onde vai parar
Estamos vivos, sem motivos
Que motivos temos pra estar?
Atrás de palavras escondidas
Nas entrelinhas do horizonte dessa highway
Silenciosa highway

Eu vejo um horizonte trêmulo
Eu tenho os olhos úmidos
Eu posso estar completamente enganado
Eu posso estar correndo pro lado errado
Mas "a dúvida é o preço da pureza"
É inútil ter certeza
Eu vejo as placas dizendo
"não corra, não morra, não fume"
Eu vejo as placas cortando o horizonte
Elas parecem facas de dois gumes

Minha vida é tão confusa quanto a América Central
Por isso não me acuse de ser irracional
Escute, garota, façamos um trato
Você desliga o telefone se eu ficar muito abstrato

Eu posso ser um beatle, um beatnick ou um bitolado
Mas eu não sou ator, eu não tô à toa do teu lado
Por isso, garota, façamos um pacto
De não usar a highway pra causar impacto

Cento e dez, cento e vinte
Cento e sessenta
Só prá ver até quando o motor agüenta
Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclet de menta
E a sombra do sorriso que eu deixei
Numa das curvas da highway

sábado, 22 de junho de 2013

Humano Demais




De tudo que é humano nada me é estranho
se o mar não tá pra peixe desse tamanho
eu não esquento, eu não me iludo
eu troco em miúdos o primeiro toque
e nada pode ser maior
de tudo que é humano nada me é estranho
fruto e semente...criatura e criador
as curvas da estrada...as pedras no caminho
os filmes de guerra e as canções de amor
nada pode ser maior
de tudo que acontece nada me surpreende
tudo me parece !tão normal!
um big mac...maktub...
drops de Deus...filosofia fast-food
nada pode ser maior

não é ciência exata, não acontece em tempo real
é demais !humano demais!
não é ciência exata, não acontece em tempo real
é demais !animal!

e agora somos só nós dois: eu e minha circunstância
sempre foi só nós dois: eu e minha circunstância
sempre só nós dois: eu e eu

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Onde Menos se Espera



tente outra coisa
tente ver as coisas
de um modo diferente
tente outra cor
e se não for amor
outro tipo de gente
tente ver além
do que você já tem
à sua frente

tente um mundo novo
uma nova era
tudo pode estar te esperando
tudo pode estar
onde menos se espera

tente a todo instante
só o que manda o instinto
tente refrigerante
vinho branco e vinho tinto
tente ser Brasil
de um povo Heróico
um brado retumbante
tente o mundo todo

tente todo mundo
ninguém vai ficar te esperando
tudo pode estar
onde menos se espera

tente outra coisa
tente ver as coisas
de um modo diferente
por cima do muro
por baixo dos panos
tente outra vez
o que você já fez
de um modo diferente

tente um mundo novo
uma nova era
tudo pode mudar
tudo pode estar
onde menos se espera

numa noite de inverno
tarde de outono
ou manhã de primavera
tudo virar
pode ser verão

quando menos se espera...

terça-feira, 4 de junho de 2013

3º do Plural




Corrida pra vender cigarro
Cigarro pra vender remédio
Remédio pra curar a tosse
Tossir, cuspir, jogar pra fora

Corrida pra vender os carros
Pneu, cerveja e gasolina
Cabeça pra usar boné
E professar a fé de quem patrocina

Eles querem te vender,
Eles querem te comprar,
Querem te matar (de rir),
Querem te fazer chorar

Quem são eles?
 Quem eles pensam que são?

Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho, velocidade
Quem mente antes diz a verdade

Satisfação garantida
Obsolescência programada
Eles ganham a corrida
Antes mesmo da largada

Eles querem te vender,
Eles querem te comprar
Querem te matar (a sede),
Eles querem te sedar

Quem são eles?
 Quem eles pensam que são?

Vender, comprar, vendar os olhos
Jogar a rede... contra a parede
Querem te deixar com sede
Não querem te deixar pensar

Quem são eles?
Quem eles pensam que são?


Se você parou para pensar e tentou responder a pergunta - quem são eles? - certamente outra questão surgiu imediatamente na sua cabeça - quem sou eu? - Mais que consumidores, por vezes "eles" acabam por nos transformar em um produto.....a letra é, na verdade, uma crítica ao consumismo exagerado, ao capitalismo radical, onde tudo é dinheiro e produto e consumidor se tornam uma coisa só, como na frase  - eles querem te vender - eles querem te comprar.....